¨ sadismo poético..

"Preferi humilhá-lo com a poesia - arte que ele ignorava, e que o faria sofrer muito mais por não saber onde lhe doía. Eu declamava os versos lentamente, havia palavras que eu quase soletrava, pelo prazer de vê-lo se remexer na cadeira. Eu fazia longas pausas, silêncios que só um poeta se permite, e ele baixava o olho, olhava para o lado, para seus montes de livros. Chegou a juntar os livros no colo, fez menção de se retirar."



(Trecho do livro Budapeste, Francisco Buarque de Hollanda)