XV.

A construção do nome que nomeia o intervalo, a suspensão da familiaridade com todos os elementos que ela respira, é nessa asfixia que há alguma liberdade possível, quase nenhuma. É nessa asfixia que é um tanto quanto humana sem se envergonhar disso. Foi nessa asfixia que, pela primeira vez, de fato dormiu com direito a sonhar, sonhar mesmo, não o sonho construtivo que enseja concretude, mas o sonho, o umbigo implausível, um instante de um exílio sem a menor esperança, ou, para ser mais exato, o sonho sem o menor desejo de estar de volta. Nomear, às vezes, é construir o próprio exílio.